Mataste-a um bocadinho. Roubaste-lhe um pedacinho de si. Deixaste-a de rastos.
E eu sei porque nem falas comigo! Não falas porque não podes admitir que falhaste! Não falas porque sabes o que eu vou dizer: afinal tu não és diferente como dizes, afinal és IGUAL a todos os outros. Por qualquer interesse é que te moves, seja o interesse no sexo, seja o interesse no carinho ou o mero interesse em alguém que corra atrás, alguém garantido. Não podes falar comigo porque cais do teu pedestal. Admitir que falhas é deixares de poder encher-te de moralidade para me acusar daquilo que eu fiz mal. E afinal, nada mudou. Afinal és o mesmo que sempre foste, demasiado cheio de ti para deixares que os outros importem. Demasiado afundado nas tuas merdinhas para ver o mundo dos outros ruir à frente dos teus olhos. Quem dizes que te entende, não te conhece... é-te confortável sabê-los lá a acreditar numa pessoa que não existe e a dar-te o mimo que não mereces, porque disso é que vives: de falsas conquistas e de receber, de receber sempre muito mais do que dar. E tenho que ouvir que sofreste? Tenho que ouvir que te doeu? Pois bem, a mim doeu mais do que alguma vez hás-de imaginar, uma e outra vez, anos a fio. Mais do que tu (ou quem quer que seja) saberás. Porque os fortes entre nós têm esta mania de proteger sempre os outros. E quem sofre a sério, não publicita!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
domingo, 27 de dezembro de 2009
closure
Falaste por fim. Explicaste o que sentiste, o que aconteceu - da tua perspectiva.
E já não me dizes o mesmo. Já há muito que pensar em ti não me tira o fôlego. Sabes que sigo o meu caminho e dizes que não espero por ninguém.
Mas quiseste falar, explicar, rever, desculpar-te, inventar razões que não servem. O mesmo discurso outra vez, o problema não é meu [nunca é!]. Mas uma série de mal-entendidos e preconceitos deram-te a certeza de eu ser outra [tretas?]. E quando afinal fui melhor, já me tinhas bloqueado.
Já passou. Mas desenterraste verdades e deixaste-me a pensar naquilo que fui, naquilo que sou e naquilo em que me quero tornar, no que dei, no que tirei, no que mostrei e escondi.
Os nossos caminhos são diferentes do que esperei.
Acho que a culpa é minha.
E acho que não acredito mais.
E já não me dizes o mesmo. Já há muito que pensar em ti não me tira o fôlego. Sabes que sigo o meu caminho e dizes que não espero por ninguém.
Mas quiseste falar, explicar, rever, desculpar-te, inventar razões que não servem. O mesmo discurso outra vez, o problema não é meu [nunca é!]. Mas uma série de mal-entendidos e preconceitos deram-te a certeza de eu ser outra [tretas?]. E quando afinal fui melhor, já me tinhas bloqueado.
Já passou. Mas desenterraste verdades e deixaste-me a pensar naquilo que fui, naquilo que sou e naquilo em que me quero tornar, no que dei, no que tirei, no que mostrei e escondi.
Os nossos caminhos são diferentes do que esperei.
Acho que a culpa é minha.
E acho que não acredito mais.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Sigo o teu nome por estradas velhas, persigo-te assim, por caminhos antigos e traiçoeiros, saltando-te pedra a pedra, a querer aparecer-te à porta, ao portão, a esperar-te escondida com o azedume do assédio a fervilhar dentro de mim. Quero agarrar-te a cara com as mãos, à tua saída, e fixar-te as feições espantadas, o olhar surpreso, o maxilar rígido e desconfiado. Sigo-te à tua morada, entreteço em mim tudo o que de ti sei, corro atrás de ti com a curiosidade de uma criança com o seu franzir de sobrolho, indagante, sempre a virar as esquinas atrás de balões e de seres etéreos. Guardo de ti tão pouco: um amor que não conheço arrastado pelo chão da minha casa, sabedorias incompletas e uma ternura brevemente derramada numa madrugada qualquer, soprada como um segredo. Sinto-te, que queres?, como se me respirasses aqui e agora para o ouvido e isto são coisas que a ciência não explica. Mas sigo-te sem fé, aos ressaltos e renitente, como esse gaguejo subtil que te trai quando te preparas para me dizer a verdade e que eu ao princípio confundia com um defeito da ligação, que parecia prolongar-te as sílabas no ar. Tens qualquer coisa de sino de igreja que avisa, que insiste e não perdoa, mas que ao mesmo tempo redime. E uma violência feroz que às vezes te escorrega pelas palavras, sem dares conta, porque o que mais queres é ser meigo. E eu, olha, eu a dar o teu nome a este documento de texto e a pôr em baixo a tua fotografia, se a tivesse. E então ninguém te poderia confundir com um filme, com um argumento inventado por outros. Tu és um caminho; um caminho por onde vago à toa, acossada pela posse e pelo vazio, sem final feliz à espreita. Mas também és uma espécie de verdade, uma verdade não comprovada que me rasa a pele e me amarga os sonhos, e por isso hoje não finjo que esta estória não nos pertence.
Não é meu, é daqui, mas podia bem ser... não pela excelência da escrita, que dessa estou longe, mas pelas verdades que encerra.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Coisas que não compreendo
A incoerência.
Incomodam-me a incapacidade de decisão e as atitudes ao sabor do vento.
Há contextos em que isto é sinónimo de liberdade, mas quando se está a falar de relações sociais a incoerência é uma mina.
Eu sei que também sou incoerente... mas porque deixo que os incoerentes definam o que vou fazer a seguir!
Incomodam-me a incapacidade de decisão e as atitudes ao sabor do vento.
Há contextos em que isto é sinónimo de liberdade, mas quando se está a falar de relações sociais a incoerência é uma mina.
Eu sei que também sou incoerente... mas porque deixo que os incoerentes definam o que vou fazer a seguir!
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